sexta-feira, 5 de setembro de 2014

As Festividades e Comemorações Judaicas como Expressões do Pacto

Por Vanderson Scherre Gomes

 Quando somos estimulados por apenas um de nossos sentidos, nossa capacidade de retenção de informações é bastante limitada. Mas quando usamos simultaneamente vários deles para um mesmo fim, a absorção de informações cresce consideravelmente.
Partindo desse princípio, podemos considerar as festividades e comemorações praticadas pelo povo de Deus como um método extremamente eficaz de memorização e recordação daquilo que Deus fez e ainda faria no meio do seu povo. COLEMAN (1991, p.263) confirma esta idéia dizendo que as festas do povo de Deus eram de cunho educativo. Ou seja, “O propósito divino nas festas de Israel era o de trazer o elemento temporal para o círculo de adoração. Eram os ‘encontros’ do Senhor com Israel pra comunhão, instrução e reflexão sobre o relacionamento e as responsabilidades da aliança.” (ELLISEN, 2010, p.53). HALLEY (2001, p.144) concorda com essa idéia e acrescenta “As festas de Israel tinham o propósito de manter Deus sempre nos pensamentos do povo e, num nível prático, promover a unidade nacional.” Apenas falar sobre o que Deus fez e ainda faria não tem a mesma eficácia do que cantar, dançar, comer, orar, ler, chorar e representar os feitos e as promessas de Deus. Segundo Halley, as festas exerciam uma influência tão grande sobre o povo, que umas das primeiras medidas de Jeroboão I, após a divisão das doze tribos foi estabelecer as próprias festas do Reino do Norte, a fim de que o povo não tornasse para Jerusalém, que estava sob o domínio de Judá (1Reis 12.26-27).
Devemos lembrar que nosso conceito de festa é bem diferente daquele praticado pela nação de Israel. Segundo Aurélio, a finalidade de uma festa é para divertimento. Mas o que observamos nas festas instituídas no Pentateuco é:
"As festas do Senhor do Antigo Testamento eram reuniões santas de todos os varões de Israel. [...] As Festas não eram festas para diversão. Eram ocasiões sérias e importantes, nas quais Israel honrava ao Senhor por seu relacionamento com eles." (Mahoney, 1996, p.3)
As festas originalmente estabelecidas no Pentateuco para que o povo de Deus as celebrasse são: Páscoa (Pessach), Pães Asmos, Primícias, Pentecoste (Shavuote), Trombetas (Rosh Hashaná), Dia da Expiação (Yom Kippur) e Tabernáculos (Sucote) (ELLISEN, 2010, p.52). Além dessas festas instituídas no Pentateuco, temos outras celebrações importantes que se referem a momentos históricos relevantes à nação de Israel e, por isso, também eram comemorados, tais como a festa do Purim e Dedicação. Todavia, como expressões do Pacto, apenas as sete festas estabelecidas no Pentateuco são relevantes para este estudo.
Tomando por base o calendário hebraico apresentado por ELLISEN (2010, p.52), veremos em ordem cronológica as festas estabelecidas no Pentateuco com suas finalidades.

Páscoa, Pães Asmos e Primícias

Apesar de essas festas possuírem seus significados particulares, elas eram celebradas em conjunto durante uma semana, ocasião na qual, todos deveriam ir para Jerusalém a fim de celebrar estas festas como nação. No livro de Êxodo 12.14-28 vemos o Senhor instruindo a Moisés para que este, por sua vez, instruísse o povo quanto aos rituais dessas festas, especialmente a páscoa.
A páscoa é um memorial do livramento do Senhor, “[...] livramento da servidão e morte no Egito e o fato de o Senhor tê-los adquirido como seus ‘primogênitos’” (ELLISEN, 2010, p.54). No Êxodo, Deus libertou a nação de Israel do julgo da escravidão Egípcia e também os livrou da morte dos primogênitos e assim foi instituída a páscoa, como um memorial, mas também uma tipificação daquilo que Cristo faria na cruz, libertando-nos da escravidão do pecado e salvando-nos da morte eterna. Na celebração da Páscoa o pacto é claramente expresso, pois evidencia a misericórdia de Deus libertando o seu povo, tipificando o Messias, que já veio cumprindo todos os rituais Pascoais, dando-nos salvação.
Enquanto “A Páscoa retrata Jesus resolvendo o problema da penalidade do nosso pecado. Os Pães Asmos retratam Jesus resolvendo o problema da prática do pecado.” (MAHONEY            , 1996, p.7, grifo do autor). A Festa dos Pães Asmos relembra a pressa com que os Israelitas saíram do Egito, não dando tempo para que a massa dos pães fermentasse. Mas ela representa o cuidado que devemos ter para com as nossas vidas a fim de mantê-la pura, limpa de qualquer pecado, pois servimos a um Deus santo, que é infinito em misericórdia, mas não tolera o pecado.
Se a Páscoa nos fala sobre a morte vicária de Cristo, as Primícias apontam para o Cristo ressurreto, ou seja, as primícias daqueles que ressuscitarão em glória. Segundo ELLISEN (2010, p.54) “As primícias tipificavam a ressurreição de Cristo como as primícias da ressurreição dos crentes (1Co 15.20,23)”. Mas historicamente, a Festa das Primícias refere-se a entrega dos primeiros frutos da colheita, nas palavras de MAHONEY (1996, p.10) o “trigo precoce constituía as primícias”, ou seja, aquele feixes que amadureciam antes do restante da colheita eram recolhidos e apresentados com oferta ao Senhor.

Pentecoste

De acordo com Mahoney, a Festa de Pentecoste, também chamada de Festa da colheita, ou semanas, acontecia 50 dias após o cumprimento da semana da Páscoa, mais exatamente, a partir do dia em eram apresentados os primeiros frutos. Concluída a colheita, celebrava-se o Pentecostes para “Agradecer a colheita da cevada, dedicar a próxima colheita do trigo e lembrar o livramento da escravidão do Egito.” (ELLISEN, 2010, p.54). Para Coleman, o fato da nação de Israel ser uma sociedade muito arraigada a agricultura faz da festa da colheita uma grande festa, a qual também atraia pessoas de toda parte para as imediações de Jerusalém, uma vez que o Pentecostes era uma das três grandes festas que os Israelitas deveriam comparecer diante do Senhor no templo.
Unger faz alguns apontamentos interessantes a respeito de alguns elementos dessa festa:
A nova oferta de manjares prenuncia a igreja. Os dois pães movidos (pães, não um molho de grãos soltos) ‘levedados’ antecipam aquele aspecto pelo qual os judeus (At 2) e os gentios (At 10) são unidos numa genuína unidade espiritual (1Co 12.13) pelo advento do Espírito no Pentecoste (At 1.1-4). (UNGER, 2006, p.100)
Essas informações muito nos esclarecem a cerca do aspecto profético dessa festividade. Celebrar o Pentecostes era sinônimo de gratidão a Deus pela colheita, pelo livramento da escravidão e a espera pelo dia em que judeus e gentios seriam arrebanhados num único aprisco, cujo pastor é Cristo.

Festa das Trombetas, Dia da Expiação e Tabernáculos

Essas três festas aconteciam no mesmo mês, aproximadamente outubro, que é o mês de tishri. De acordo com Ellisen, esse período festivo tinha seu início com a Festa das Trombetas, a qual era o marco inicial do ano civil e, também, uma convocação para que o povo de Israel comparecesse diante do Tabernáculo do Senhor, pois os dias que viriam pela frente seriam dias santos. Ainda segundo Ellisen, nesse dia a Trombeta (shofarin) era tocada com mais intensidade do que o normal. Diferente das comemorações até então citadas, as Trombetas não aponta para o passado, mas sim para o futuro. Pois ela aponta para o dia em que Deus convocará a todos para comparecerem diante dele. Ou seja, um dia o Senhor consumará o seu pacto.
O que se segue às Trombetas é o dia da Expiação. “Essa data tem um significado muito especial não só para os judeus como também para o cristianismo. [...] Era uma ocasião de reflexão, de arrependimento [...]” (COLEMAN, 1991, p.270). O Dia da Expiação era o único que o sumo sacerdote poderia entrar no Santo dos Santos. Ele se apresentaria diante do Senhor com o sangue de um bode, com a finalidade de obter perdão do Senhor para si mesmo e para todo o povo. Os rituais do Dia da Expiação “Tipifica Cristo, que expiou todos os nossos pecados, pagando seu preço e levando-os sobre si.” (ELLISEN, 2010, p.55). A Expiação deixa claro para o homem a sua inaptidão para cumprir a lei, ou seja, os “termos do pacto”. Por isso faz se necessário um redentor, alguém que nos liberte da condenação que recairia sobre nós.
“Após experimentar profundos sentimentos de remorso e tristeza, os participantes se entregavam às alegrias da Festa dos Tabernáculos.” (COLEMAN, 1991, p.271). De acordo com este mesmo autor, a comemoração do Dia de Ação de Graças se assemelha A Festa dos Tabernáculos. Durante os dias dessa festividade, o povo de Deus deixava o conforto de suas casas para habitarem em barracas feitas de folhas, lembrando se dos dias que o Senhor conduziu seu povo pelo deserto. O Senhor manteve-se fiel ao pacto, mesmo quando a nação de Israel mostrava-se como um povo de dura cerviz (Esse termo aparece sete vezes no Pentateuco).

Conclusão sobre as Festas como expressões do Pacto

Não foi sem propósito que o Senhor estabeleceu suas Festas. Ele tinha um propósito bem claro ao estabelecê-las, e este era fixar na mente e no coração do seu povo os seus grandiosos feitos e também apontar para o que estava por vir. Mostrar sua misericórdia e graça evidenciando o Pacto do Senhor com seu povo, sua manutenção e consumação.

BIBLIOGRAFIA

COLEMAN, William L. Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos. Tradução de Myrian Talitha Lins. Venda Nova: Editora Betânia. 1991. 360p.

ELLISEN, Stanley. Conheça Melhor o Antigo Testamento: Um guia com esboços e gráficos explicativos dos primeiros 39 livros da Bíblia. Tradução de Emma Lima. 2 ed. São Paulo: Editora Vida. 2010. 423p.

FERREIRA, Aurélio B. de Holanda. Novo Dicionário Eletrônico Aurélio Século XXI. 3 ed. Editora Positivo. Versão Eletrônica 5.0.

HALLEY, Henry Hampton. Manual Bíblico de Halley: Nova Versão Internacional. Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida. 2001. 895p.

MAHONEY, Ralph. As Sete Festas do Senhor. Atos, Venda Nova, n.6, vol.11, 23p. Nov./Dez. 1996.


UNGER, Merrill Frederick. Manual Bíblico Unger. Tradução de Eduardo P. e Ferreira, Lucy Yamakami. São Paulo: Vida Nova, 2006. 743p.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Atos, O Manual de Missões da Igreja - Atos 1.1-2,8

“Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas. [...]mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (Atos 1:1-2,8 RA)

Um dos requisitos básicos para ser um Cristão Reformado, é ter a Bíblia como única regra de fé e prática. Em outras palavras, isso significa que a Bíblia é nosso Manual de Instruções, por isso, precisa ser seguida à risca. Pois assim como a garantia de qualquer produto está condicionada ao seu uso conforme prescrito no manual, o sucesso da nossa Vida Cristã também está ligado ao seguir as orientações das Sagradas Escrituras (2Tm 3.16-17). “O vigor de nossa vida espiritual está na proporção exata do lugar que a Bíblia ocupa em nossa vida e em nossos pensamentos” (Geoge Muller).
Partindo do princípio que a Bíblia é o direcionador das nossas vidas e da Igreja, precisamos abraçar com toda força o que ela nos ensina sobre evangelização e missões. Pois já faz algum tempo que não temos cumprido plenamente suas orientações a esse respeito. Nesse quesito, o Livro dos Atos dos Apóstolos é um guia formidável. Pois nele estão registradas as ações evangelísticas da Igreja Apostólica, as quais foram registradas por Lucas, com o propósito de instruir Teófilo, um cristão que ocupava um posto de destaque no governo romano. Pensando que a Igreja Apostólica foi a que mais se aproximou da “Igreja Ideal”, creio que temos muito o que aprender com estes irmãos do passado.
Basicamente, o livro de Atos segue o roteiro apresentado em um dos seus primeiros versículos: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (Atos 1:8). Assim, ele narra o progresso do evangelho, a partir de Jerusalém, onde teve início, até Roma, a capital do império. Atos 1-7: O evangelho se propaga por toda Jerusalém e Judéia; Atos 8-12: O evangelho se propaga por Samaria e regiões vizinhas; Atos 13-28: O evangelho se propaga por terras distantes. Ou seja, missões locais, missões regionais e missões internacionais. Para entender melhor as seções e a forma como o evangelho progrediu, é só se atentar para alguns versículos chave: At. 6.7, At. 9.31, At. 12.24, At. 16.5; At. 19.20; At. 28.31. Depois de ler esses versículos, fica claro que Lucas desejava mostrar aos seus leitores (especialmente Teófilo) como o evangelho saiu de Jerusalém e chegou até Roma.
Tendo entendido o propósito do autor e a estrutura que seguiu, vejamos algumas diretrizes preciosas para fazermos missões hoje mesmo, aonde quer que estivermos e do jeito certo: 1– A obra missionária é produzida, motivada, dirigida e capacitada por Deus, através do Espírito Santo: Lucas 24.49, At 1.8, 8.29, 10.19, 11.12, 13.2-4, 15.28, 16.6, 20.23. O poder para as missões vem do ALTO; 2– A responsabilidade missionária é de cada crente, pois todos somos testemunhas de Jesus Cristo. Testemunhar, nada mais é do que falar aos outros o que Jesus tem feito em sua vida: At.1.8, 4.20, 8.4, 28.31, (Atos 26.1-23 - Paulo pregando o evangelho e testemunhando de suas experiências); 3– A visão missionária precisa ser progressivamente ampliada, pois deve seguir a visão de Jesus (Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido. Lucas 19:10). At. 1.8, 9.31, 11.18, 23.11, 28.28; 4– A pregação da Palavra é o meio escolhido e determinado por Deus para produzir a fé no coração do incrédulo. “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” (Romanos 10:17): At.2.37, 6.4, 4.31, 8.35, 10.42; 5– A Igreja local deve coordenar o trabalho missionário recrutando, treinando, enviando, sustentando e recebendo relatórios dos missionários: At. 14.27, 15.3-4, 21.17-19; 6– A plantação e organização de igrejas fez parte da expansão missionária. Elas eram organizadas nas casas dos crentes, onde a Palavra era ministrada e os cristãos discipulados: At. 11.19-26, 14.23, 21.8, 1Coríntios 16.19; 7– De todos os trabalhos que fomos encarregados, a obra missionária é prioritária. Dessa forma, o nosso melhor deve ser direcionado a ela: At. 23.2 (Os melhores obreiros), At.20.35 (Os maiores recursos), At. 20.24 (O melhor de nós); 8– Fazer tudo isso não é fácil, por isso, é necessários estarmos em constante oração. Pois é ela que manteve a Igreja Primitiva em comunhão com Deus e uns com os outros: At. 1.14, 2.42, 4.31, 6.4, 9.11, 10.4, 13.2-3, 16.25, 20.36.
Como Igreja do Senhor Jesus, não podemos fazer vistas grossas à urgente necessidade de anunciarmos o Evangelho. Toda a instrução de que necessitamos, está bem diante dos nossos olhos, bem como toda sabedoria e direção do Espírito, está ao alcance das nossas orações.
Comece hoje mesmo a anunciar para as pessoas o que Deus tem feito por você! Essa missão é sua!
Adaptado de Igreja Local e Missões - SOCEP, Lição 01 - Ev. Vanderson Scherre Gomes

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Repensando o Natal (Parte 2)


Dando sequência ao assunto que discutimos semana passada (AQUI), hoje, continuaremos a propor algumas idéias para nos fazer repensar aquilo que se tem convencionado como práticas natalinas. O nascimento de Cristo é uma belíssima data, pois é nesse dia que lembramos que o Verbo Eterno se fez carne, esvaziando-se de si mesmo e habitou entre nós. Deus se fez homem, colocando seu coração na nossa miséria, com o fim de nos tirar dela.
Tendo em vista tamanho ato de amor, graça e misericórdia, não podemos desprezar a importância do natal, ou mesmo enxertá-lo de significados fúteis, mentirosos e vazios. Assim, continuemos a aprender um pouco mais sobre essa célebre data.
Presépio Como dissemos, o natal nos mostra a ação do Deus Eterno assumindo a forma de servo. Nesse sentido, o presépio talvez seja um dos símbolos natalinos que melhor representa isso, mas ao mesmo tempo, seja a representação natalina usada da forma mais enganada. Pois ao invés de representar o que a Bíblia diz sobre o nascimento de Jesus, representam aquilo que as crendices populares falam. De acordo com Lucas 2.1-7, o Rei dos reis nasceu numa estrebaria. Um local simples, rude e impróprio para o nascimento de qualquer criança. Mesmo assim, José, Maria e o recém nascido Jesus tiveram que se abrigar naquele lugar por causa da superlotação da cidade naqueles dias em que o Império Romano promovia o recenseamento. A estrebaria era um local usado para abrigo e tratamento de animais, que poderia ser o porão de uma casa, ou um anexo à mesma, pois naqueles dias era comum essa prática. Mas o que normalmente é usado para representar a estrebaria é uma gruta ou uma choça num ermo aos arredores de Belém. Podemos deduzir, com mais possibilidade de acerto, ser a estrebaria num porão, do que numa gruta por causa do anjo que não forneceu aos pastores muitos dados acerca do local do nascimento, mas disse que era "na cidade de Davi", que é Belém, logo, deveria ser um local mais conhecido e não tão isolado. Esse lugar impróprio para moradia foi adaptado para receber aquela família e para acomodar o menino, fizeram da manjedoura um berço. A qual era um cocho de pedras fixo e firme. Uma obra de alvenaria feita no lugar. Tão firme que poderia ser usada para amarrar animais (Lc. 13.15). Nela se dava de comer e beber aos animais. Quando dizemos adaptada, quer dizer que o local foi minimamente preparado, não pensem que havia animais por todo lado, inclusive um comendo forragem no cocho transformado em berço. Certamente José tirou os animais do lugar e o que envolvia Jesus na manjedoura eram faixas e não capim (Lc. 2.12).
Os Magos – Outro erro comum associado ao presépio é visita de “uns magos do oriente” que aparecem em Mateus 2.1-12. Essa comitiva viera de terras distantes para ver o “rei dos judeus”. Esses homens do oriente eram pessoas de destaque, pois para serem qualificados como “magos”, poderiam ser astrônomos, astrólogos, matemáticos, químicos, ou religiosos de altas patentes acadêmicas, assim poderiam ser conselheiros reais semelhantes a Daniel. Porém a Bíblia não nos informa quantos eram, o que faziam e nem os seus nomes. O que temos a respeito desses homens são muitas lendas e crendices populares. Quanto ao número, várias foram as estimativas, contudo o mais difundido são três: Aliatar, Anason e Quissade (nomes dados no século XIII), ou Gaspar, Belchior e Baltazar (nomes dados no século XII). O que fortalece a teoria de que eram três magos são os três diferentes presentes (ouro, incenso e mirra). Mas tudo isso não passa de especulação e lenda, pois a Bíblia não nos dá esses detalhes. Há ainda aqueles que atribuem significados aos presentes dos magosAlguns atribuem significados aos presentes: Ouro: Aponta para realeza de Cristo; Incenso: Aponta para o ministério Sacerdotal de Cristo; Mirra: Aponta para sua morte. Mas o papel mais importante dos presentes dados pelos magos foi financiar a viagem de Jesus e sua família ao Egito. Visto que era uma família pobre.
Ainda tratando sobre os magos, um equívoco comumente cometido é dizer que os magos visitaram Jesus e sua família na estrebaria na noite do seu nascimento. Vemos isso em praticamente todos os presépios, teatros e filmes natalinos. Mas a narrativa Bíblica aponta para uma direção diferente, pois em Mateus 2.11 diz que os magos entraram na “CASA” e viram o “MENINO”. Ou seja, os magos visitam o menino Jesus (no grego “paidion” = menino pequeno) e sua família numa casa (no grego “oikia” = moradia). Diferente dos humildes pastores, aos quais o Anjo apareceu na noite do nascimento. Estes acharam uma criança (no grego “brephos” = recém nascido) envolta em faixas e deitada numa manjedoura. Além da diferenciação que podemos obter do grego, podemos deduzir que Jesus não era mais um recém nascido pelo fato de Herodes ordenar a morte das crianças de dois anos para baixo, conforme Mateus 2.16. Portanto, os pastores visitaram Jesus na manjedoura na noite do seu nascimento. Já os magos, encontraram Jesus numa casa quase dois anos depois do seu nascimento. Mas francamente, montar um presépio com magos ricos, bem vestidos e cheios de presentes, ao invés de pastores pobres e maltrapilhos é muito mais chique.
Tendo em vista tantos elementos lendários que cercam o nascimento de Jesus, para se evitar erros, convém que aceitemos a narrativa Bíblica do nascimento de Jesus dentro dos limites da sua realidade, sem nenhum acréscimo ou suposição fantasiosa que ultrapasse a verdade narrada nas Escrituras. Não celebre o Natal conforme as crendices populares, mas de acordo com a Palavra de Deus.

Obras consultadas e Citadas:

FONSECA, Salvador Moisés da. O Natal e sua celebração: história e simbologia. Patrocínio: CEIBEL. 2001. 3ª Ed. 20p.

TASKER, R.V.G. Introdução e Comentário do Evangelho de Mateus. Tradução de Odayr Olivetti. São Paulo: Vida Nova. 2007. 229p.


sábado, 23 de novembro de 2013

Repensando o Natal (Parte 1)

Li recentemente uma frase que achei muito interessante, e que diz: “Quando todos pensam iguais, é porque ninguém está pensando”. Gostaria de aplicar essa frase para o Natal e dizer que as atuais práticas natalinas têm sido pouco, ou nada pensadas. O que temos visto é uma constante reprodução cega daquilo que a sociedade e a mídia querem nos empurrar “goela abaixo”, ou seja, um pacote de lendas, mitos e mentiras.
O nascimento de Jesus, também chamado de Natal, é uma das datas mais belas para Igreja do Senhor Jesus comemorar e celebrar. Saber que o Verbo Eterno se fez carne a habitou entre nós é algo maravilhoso. Por isso, o povo de Deus precisa deixar de lado as falácias natalinas e abraçar o verdadeiro Natal.
Para nos ajudar a repensar o Natal, precisamos rever o significado de alguns símbolos que fazem parte dessa data e que podem compor nossas ornamentações. Vejamos alguns:
Arranjos Secos: Sementes ou cachos secos são usados na comemoração natalina. Eles expressam que sem Jesus não há vida. Assim, recomenda-se usá-los no início das ornamentações natalinas para ilustrar que sem Jesus, nosso vigor se torna em sequidão de estio.
Guirlanda ou coroa: Muito conhecida e usada nas portas, é composta por uma ramada verde arranjada em forma circular, envolta em fitas vermelhas e pode ser adornada com quatro velas (ou luzes). Nesse contexto, o verde simboliza vida e esperança; a forma circular aponta para a eternidade de Deus, sem começo e sem fim; as velas ou luzes representam as manifestações de Deus na história da humanidade, especialmente o nascimento da maior de todas as luzes; a fita vermelha representa a aliança de Deus com seu povo selada pelo sangue de Cristo.
Sinos: Ao longo da história os sinos têm sido usados como avisos sonoros de alerta ou convocação. Para o Natal eles representam um aviso de que nasceu o Salvador e uma convocação a todos os povos, juntos, virem adorá-lo.
Velas ou Luzes: Representa Jesus como a luz do mundo que dissipa todas as trevas. A vela, em especial, nos oferece uma ilustração ainda melhor, pois ao iluminar ela se consome. Assim foi a vida de Jesus, para que a sua luz pudesse brilhar em corações pecadores, ele morreu por nós.
Árvore de Natal: A primeira Árvore de Natal iluminada foi usada por Martinho Lutero e sua família na comemoração de Natal de 1525. Mas elas já eram usadas antes. Alguns condenam o uso da Árvore de Natal dizendo que ela remete ao culto pagão à Astarote. Acusação injusta, pois a Árvore de Natal não possui nenhuma ligação com culto pagão. Para nós Cristãos, ela tem um significado maravilhoso, uma vez que normalmente se usa árvores como o pinheiro, que está sempre verde, mesmo em tempos secos. Isso nos mostra que em Jesus sempre há vida e as bolas decorativas penduradas na árvore nos falam dos frutos da nossa união com Cristo.
Presépio: Talvez seja um dos símbolos natalinos usados da forma mais enganada. Pois ao invés de representar o que a Bíblia diz sobre o nascimento de Jesus, representam aquilo que as crendices populares falam. (Para maiores explicações veja a Próxima postagem sobre Esclarecimentos Natalinos). Porém, sendo retirados os elementos lendários, o presépio nos fala da humildade e humanidade de Cristo. Pois mesmo sendo Deus, despiu-se de sua glória e fez-se homem, nascendo da forma mais simples possível.
Mesmo com símbolos tão belos em aparência e significado, o Natal, muita das vezes, tem sido esvaziado do seu verdadeiro sentido e enxertado de pacotes coloridos, Papai Noel, festas onde se promovem glutonaria e bebedices. Pais que talvez nunca se assentaram com seus filhos para ensiná-los a orar e buscar a presença de Deus, nesses dias de Natal gastam horas ensinando seus filhos a escreverem cartinhas para o Papai Noel.
Vamos reaprender o verdadeiro sentido do Natal e aproveitar os símbolos natalinos para levarmos a mensagem do Evangelho para os nossos parentes e amigos, pois ao explicar os significados dos símbolos, estaremos apontando para Jesus, o verdadeiro sentido do Natal.

Baseado na Obra de:

FONSECA, Salvador Moisés da. O Natal e sua celebração: história e simbologia. Patrocínio: CEIBEL. 2001. 3ª Ed. 20p.

Oficiais da Igreja Primitiva

Os ofícios usados por Deus para edificação da sua Igreja no Primeiro Século

Desde o princípio Deus usou homens capacitados por ELE para determinados fins e tudo com o propósito maior de dirigir o Povo de Deus. Esses homens não possuíam nenhuma capacidade sobrenatural, algo como poderes paranormais. Todos eles eram homens normais em essência, mas na prática, nem tão normais, pois não é todo dia que vemos alguém orando e fogo descendo do céu, e outro fazendo os astros celestiais estacionarem em suas orbitas até que o Povo de Deus obtivesse a vitória. O que diferenciava esses homens dos demais era a capacitação vinda da parte do Espírito Santo de Deus.
No Antigo Testamento essa capacitação era intermitente e com fins específicos. Mas essa realidade mudou a partir do derramar do Espírito no Pentecostes, outrora profetizado por Joel em seu livro (Joel 2.28). Na nova dispensação, Deus passa a conduzir seu povo através da ação do Espírito Santo na vida de homens escolhidos para este fim, conferindo a estes dons espirituais, habilitando e capacitando-os para exercer seus ofícios dentro da Igreja do Senhor, ou seja, o novo Israel.
No contexto da Igreja Primitiva só encontramos dois tipos de oficiais: Presbíteros e Diáconos. Estes eram os homens responsáveis por conduzir a Igreja do Senhor Jesus nos primeiros séculos.
Os presbíteros eram os líderes e se dedicavam à direção das igrejas, ao ensino da doutrina cristã e à pregação do evangelho. A palavra grega “presbyteros” quer dizer "ANCIÃO". Nos tempos do NT os presbíteros também eram chamados de BISPOS. Tudo isso implicava no ofício de supervisionar o bom andamento da Igreja em todas as suas áreas. Os próprios apóstolos eram presbíteros (1Pedro5.1), mas os demais presbíteros não são apóstolos, pois o colégio apostólico estava restrito àqueles que acompanharam o ministério de Jesus. Podemos ver isso muito bem descrito em Atos: “20b Tome outro o seu encargo (bispado). 21 É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, 22  começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição. 23  Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias. 24  E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido 25  para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar. 26  E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos.” (Atos 1:20-26).
Portanto, qualquer reivindicação de credencial apostólica nos nossos dias é absurda, para não dizer mentirosa. Pressupondo que nenhum dos que testemunharam os eventos descritos no texto de Atos estão vivos, podemos dizer categoricamente que não existem mais apóstolos entre nós.
O último homem chamado para o apostolado, foi Paulo, o qual não se julgava merecedor dessa graça, chamando a si mesmo de “nascido fora de tempo”. “8  e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo. 9  Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus. 10  Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.” (1 Coríntios 15:8-10) Mesmo nascido fora de tempo, Paulo atendeu às credenciais apostólicas e fora constituído “apóstolo dos gentios” Rm.11.13.
A outra classe de oficiais que auxiliavam os presbíteros na condução do povo de Deus, eram os Diáconos:
Os diáconos eram pessoas que ajudavam nos trabalhos de administração da igreja e cuidavam dos pobres, das viúvas e dos necessitados em geral. O diácono também pregava o evangelho e ensinava a doutrina cristã. Este oficialato foi instituído pelos apóstolos em Atos 6.1-7. Em função do crescimento da igreja, os apóstolos ordenaram a escolha de sete homens, crentes fieis que pudessem assistir os necessitados da Igreja.
Juntos com os presbíteros, os diáconos compunham a liderança da Igreja local, sobre a qual, os “plantadores de igreja” constituíam esses líderes primeiro, para depois seguirem no desbravar de novos campos (1Tm3.8; Tt.1.5-9).
Mas infelizmente, o que vemos ao longo da história, e especialmente em nossos dias, é uma crescente variedade de títulos eclesiásticos. Homens se “consagrando” apóstolos, patriarcas, arcanjos, papado, sacerdotes e tantos outros. Tudo isso em busca prestígio e reconhecimento dos homens. Pois aqueles que o Senhor reconhece são os presbíteros e os diáconos.
Acredito que pelos constantes escândalos envolvendo líderes de igrejas, títulos tão belos como pastor (que nada mais é um outro nome para presbítero), vem perdendo valor por parte da sociedade. Daí surge a necessidade de novos títulos, mas de nada adianta trocar o rótulo e conservar dentro de si a podridão do mundo e do pecado.

Homens do Senhor, não busquem para vocês títulos, mas busquem fazer a vontade de Deus. O ÚNICO MERECEDOR DE RECONHECIMENTO E DE TODOS OS SANTOS TÍTULOS É O NOSSO SENHOR JESUS. Nós não passamos de servos inúteis.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A Santa Ceia - 1Coríntios 11.17-32

“Nisto, porém, que vos prescrevo, não vos louvo, porquanto vos ajuntais não para melhor, e sim para pior. Porque, antes de tudo, estou informado haver divisões entre vós quando vos reunis na igreja; e eu, em parte, o creio. Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio. Quando, pois, vos reunis no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que comeis. Porque, ao comerdes, cada um toma, antecipadamente, a sua própria ceia; e há quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague. Não tendes, porventura, casas onde comer e beber? Ou menosprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto, certamente, não vos louvo. Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” (1 Coríntios 11:17-32 RA)


Conforme vimos em um artigo já publicado (AQUI), dentre os Meios de Graça, estão os Sacramentos, os quais são Batismo e Santa Ceia. Recentemente, estudamos a respeito do Batismo e hoje veremos um pouco mais detalhadamente a respeito da Santa Ceia.
“A Ceia do Senhor, à semelhança da Páscoa, é essencialmente um sacramento comemorativo. A Páscoa fez o povo lembrar-se de como havia sido salvo do anjo destruidor por meio do derramamento do sangue do cordeiro pascal (Êx. 12.1-28). [...] A Ceia do Senhor faz a igreja lembrar-se do sacrifício de Jesus Cristo e de que, por meio de seu corpo oferecido e de seu sangue derramado, somos libertos da condenação que o pecado traz (Lc.22.19-20).” (ROSS, p.43) Com isso fica mais uma vez reafirmada a continuidade entre os Sacramentos, mudando apenas o modo como é administrado.
Tal qual a Páscoa do V.T., a Ceia do Senhor também exige do participante alguns requisitos. Para participar da Páscoa, era necessário ser circuncidado e estar cerimonialmente limpo, que nada mais é que estar com a vida em dia com Deus, longe de práticas pecaminosas (Nm.9.1-14). Por isso, dentro do contexto do N.T., que é o nosso, o participante da Ceia “Tem de ser convertido e identificado com Cristo por meio do batismo, vivendo em plena comunhão com sua igreja. Além disso, tem de ter capacidade espiritual para discernir, ou seja, entender a razão do sacrifício de Jesus Cristo (At.2.38; 1Co.10.18-22; 11.29)”. Isso é algo bastante sério, por isso Paulo exorta a Igreja de Corinto: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem.” (1Co.11:28-30). Não negligencie a sua participação na Ceia do Senhor.
Para nos ajudar, vejamos o que o Catecismo Maior de Westminster nos orienta quanto ao preparo antes de participar da Ceia: “Os que recebem este sacramento devem preparar-se para o receber examinando-se a si mesmos, se estão em Cristo, a respeito dos seus pecados e necessidades, da verdade e da medida do seu conhecimento, da fé do arrependimento, do amor para com Deus e para com os irmãos; da caridade para com todos os homens, perdoando aos que lhe têm feito mal; dos seus desejos de ter Cristo e da sua nova obediência, renovando o exercício dessas graças pela meditação séria e pela oração fervorosa. Ref. 1Co.11.17-32; 2Co.13.5; Sl.139.23-24; Fp.3.8-9; Mt.5.23-24; 1Co.5.8”. É necessário considerar com seriedade o auto-exame antes de participar da Ceia do Senhor, e assim avaliar se “[...] Existe algo em nossa vida que impede a plena comunhão com Deus e com um irmão em particular? [...] A pessoa que tem algo contra o seu irmão, mas mesmo assim participa da ceia do Senhor, peca porque participa indignamente.” (ROSS, p.45). Dessa forma, aceite o conselho de Jesus: “vai primeiro reconciliar-te com teu irmão;” (Mt.5:24). Ou, se é um pecado contra Deus, confesse-o ao Senhor e busque com todas as suas forças deixá-lo, assim encontrará a misericórdia do Senhor (Pv.28.13).
Quando participamos da Ceia, estamos obedecendo a ordem de Cristo “fazei isso em memória de mim” (Lc.22.19; 1Co.11.24). Contudo, esta prática vai além de uma simples obediência a uma ordenança. Pois a Santa Ceia comunica bênçãos aos que dela participam. Não que os elementos (Pão e Vinho) tenham poderes especiais, mas cremos que a presença de Jesus é espiritualmente real na Ceia. No Sacramento da Ceia, recebemos a “[...] graça de uma comunhão cada vez mais íntima com Cristo, de nutrição e vivificação espiritual, e de uma crescente segurança da salvação.” (BERKHOF, 2009, p.604). Assim como a Páscoa fortalecia o sentimento e noção de que os participantes pertenciam a um povo separado dos demais, a Ceia traz isso, uma identificação do povo de Deus uns com os outros e com o seu Senhor. 
Para finalizar, “O ritual prescrito para a Ceia tem três níveis de significado para os participantes. Primeiro, ele tem uma referência passada à morte de Cristo, que relembramos. Segundo, ele tem uma referência presente à nossa nutrição comunitária advinda dele pela fé, com implicações sobre como tratamos com nossos co-irmãos de fé (1Co.11.20-22). Terceiro, ela tem uma referência futura por guardarmos o retorno de Cristo, sendo encorajados por esse pensamento.” (PACKER, 2004, p.186).
“O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento.” (Oséias 4:6). A falta de conhecimento estava trazendo morte aos participantes ignorantes da ceia na Igreja de Corinto. Por isso, reflita sobre o significado, profundidade e seriedade da Ceia e participe com zelo desse Sacramento.


Apêndice:

No tempo da Reforma, questões sobre a natureza da presença de Cristo na Ceia e a relação do rito com sua morte expiatória foram objeto de tempestuosa controvérsia. Sobre a primeira questão, a Igreja Católica Romana afirmava (e ainda afirma) a transubstanciação, definida pelo Quarto Concílio de Latrão, em 1215. Transubstanciação significa que a substância do pão e do vinho eram miraculosamente transformadas na substância do corpo e do sangue de Cristo, de modo que já não eram mais pão e vinho, embora parecessem ser. Lutero modificou isso, afirmando o que mais tarde se chamaria “consubstanciação” (um termo que Lutero não encorajou), ou seja, que o corpo e sangue de Cristo estão presentes em, com e sob a forma de pão e vinho, os quais se tornam, assim, mais do que pão e vinho, e não menos. As Igrejas ortodoxa oriental e algumas anglicanas dizem quase a mesma coisa. Zwínglio negou que o Cristo glorificado, agora no céu, esteja presente em qualquer forma que as palavras corporalmente, fisicamente ou localmente se adaptem. Calvino sustentou que embora o pão e o vinho se manifestem inalterados (ele concordou com Zwínglio que o é de isto é o meu corpo... meu sangue significa representa, não constitui), Cristo, através do Espírito, concede aos adoradores um verdadeiro gozo de sua presença pessoal, atraindo-os à comunhão consigo no céu (Hb 12.22-24, de forma gloriosa e bem real, não obstante indescritível.” (PACKER, 2004, p.186).

 Referência Bibliográfica
BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Traduzido por Odayr Olivetti. São Paulo: Cultura Cristã. 3ª Ed. 2009. 720p.
PACKER, J.I. Teologia Concisa. Traduzido por Rubens Castilho. São Paulo: Cultura Cristã. 2ª Ed. 2004. 224p
ROSS, I.G.G. Curso Preparatório para  Pública Profissão de Fé. São Paulo: Cultura Cristã. Parte 2. 64p.

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domingo, 17 de novembro de 2013

O Batismo - Gn.17.1-14/At.2.37-39

“Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito. Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente. Prostrou-se Abrão, rosto em terra, e Deus lhe falou: Quanto a mim, será contigo a minha aliança; serás pai de numerosas nações. Abrão já não será o teu nome, e sim Abraão; porque por pai de numerosas nações te constituí. Far-te-ei fecundo extraordinariamente, de ti farei nações, e reis procederão de ti. Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência. Dar-te-ei e à tua descendência a terra das tuas peregrinações, toda a terra de Canaã, em possessão perpétua, e serei o seu Deus. Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós. O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe. Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. O incircunciso, que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança.” (Gênesis 17:1-14 RA)
“Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.” (Atos 2:37-39 RA)

Conforme vimos recentemente aqui no nosso Blog(AQUI), dentre os Meios de Graça, estão os Sacramentos, os quais são Batismo e Santa Ceia. Hoje, veremos um pouco mais detalhadamente a respeito do Batismo. Embora o entendimento acerca do Batismo seja simples, muito se tem discutido sobre o assunto, principalmente sobre o modo como o batismo é administrado (imersão, aspersão ou efusão); e pedobatismo, ou seja, o batismo infantil; Mas antes de tratarmos desses pontos, vejamos o sentido deste Sacramento.
Quando se pergunta no Breve Catecismo “O que é Batismo?”, ouve-se a seguinte resposta: “Batismo é um sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo significa e sela a nossa união com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da graça, e a promessa de pertencermos ao Senhor. Ref.: Mt.28.19; Jo.3.5; Rm.6.1-11; Gl.3.27.” Assim, este Sacramento tem o sentido de formalmente inaugurar, ou selar nossa admissão junto ao Corpo de Cristo, tornando-nos co-participantes das bênçãos e responsabilidades dessa união. O Batismo também “[...] é um sinal de Deus que significa limpeza interior  e remissão de pecados [...] O batismo significa uma linha divisória na vida humana, porque significa um novo enxerto criador na vida ressurreta de Cristo.” (PACKER, 2004,p.181). Lembramos que embutidos neste “selo batismal”, estão as promessas da Regeneração; União com Cristo; Remissão dos Pecados e Consagração.
Estes aspectos acima mencionados são, em geral, tranquilos e comumente aceitos entre evangélicos, mas quanto ao modo de administração e ao pedobatismo, as discussões se acaloram.
Quando se trata do modo de administração do Batismo, encontramos três formas: aspersão, imersão e efusão. E “Todas as três formas satisfazem o sentido do verbo grego baptizo e a condição de passar sob a, ou emergir da, água purificadora.” (PACKER, 2004,p.182). Não importa da quantidade de água envolvida no batismo, o que importa é que seja feito com água e em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Por questões de praticidade, fazemos uso do batismo por aspersão. Mas “Os Batistas (e alguns outros) afirmam que o mergulhar ou imersão, seguida da emersão é o único modo certo do batismo, desde que este rito deve simbolizar a morte e a ressurreição espirituais do crente.” (BERKHOF, 1992, p.308). Na verdade, não achamos base bíblica para assumirmos que o único modo para o batismo é a imersão. Por outro lado, no V.T. a aspersão era constantemente praticada e muitos batismos do N.T. são logicamente impossíveis de terem sido realizados por imersão (At.9.17-18; At.16.25-34).
O Pedobatismo é outro ponto que por vezes tem provocado discussões. Este é outro ponto que discordamos dos Batistas e outros mais, que afirmam que o batismo é restrito aos adultos, por estes terem entendimento. Contudo, admitimos e praticamos o Batismo Infantil. Entendemos que os sacramentos são os mesmos tanto no Velho, quanto no Novo Testamento, Circuncisão e Páscoa no V.T. e Batismo e Santa Ceia no N.T. Embora os ritos sejam diferentes, a ordenança e o conteúdo espiritual é o mesmo. “No N.T. o batismo substitui a circuncisão como sinal e selo da entrada no pacto da graça. A circuncisão foi anulada (At.15.1-2; Gl.2.3-5), e se o batismo não a substitui, não há então rito iniciatório no presente. Mas Cristo claramente o instituiu como tal (Mt.28.19-20; Mc. 16.15-16). O Batismo se harmoniza com a circuncisão no significado espiritual, simbolizando a remoção do pecado (At.2.38; Tt.3.5). Além disso, em Atos 2.39 está ligado com a promessa. A exclusão das crianças no N.T. requereria um declaração inequívoca para esse fim, mas é exatamente o contrário que se verifica (At.2.39; Mt.19.14;).” (BERKHOF, 1992, p.312-313).


Referência Bibliográfica

BERKHOF, Louis. Manual de Doutrina Cristã. Patrocínio: CEIBEL. 2ª Ed. 1992. 364p.

PACKER, J.I. Teologia Concisa. Traduzido por Rubens Castilho. São Paulo: Cultura Cristã. 2ª Ed. 2004. 224p

ROSS, I.G.G. Curso Preparatório para  Pública Profissão de Fé. São Paulo: Cultura Cristã. Parte 2. 64p.

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